
Escrita em 1967, a peça foi definida pela ditadura militar como “perversiva” e censurada pelo então presidente, o Marechal Costa e Silva, que declarou em rede televisiva que aquele era “o exemplo de espetáculo que jamais seria encenado no país”.
Em SANTIDADE, Zé Vicente devassa a intimidade das personagens levando o conflito às últimas conseqüências. Religião, homossexualidade, celibato e drogas são tratados com enfoque existencial, ás vezes cruel, outras poucas irônico. O autor usa de um texto denso para revelar o sarcasmo do homem sobre o homem e mergulha nas verdades contraditórias das religiões e aborda, sem cerimônia e moralismo o papel da igreja como estrutura moral e social repleta de injustiças, preconceitos, intolerâncias e hipocrisias.
A igreja, no entanto, dependendo do ponto de vista, acaba sendo apenas um pano de fundo utilizado pelo autor para esboçar sentimentos entulhados de culpa, medos, insatisfações... enfim, uma série de fantasmas e fantasias que em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, condenam e castram.
SINOPSE
Uma mistura polêmica e perturbadora de sexo e religião, do sagrado e do profano, vivida por dois irmãos – um ex-seminarista e garoto de programa o outro seminarista preste a se ordenar padre – e um homossexual assumido.