Mari Q Lima lança o disco “Aonde Aponta o Sentido” – 04/11

Álbum de estreia da cantora e compositora mineira reúne dez canções sobre desilusões, rupturas, vínculos familiares e novas possibilidades de amar; produzido por Rafa Dutra, trabalho será apresentado ao vivo no dia 17/11, na Casa Outono

Entre as desilusões afetivas, as rupturas necessárias e a descoberta de novas possibilidades de existir e amar, há um caminho de dúvidas, enfrentamentos e transformações. É essa travessia que a cantora e compositora Mari Q Lima apresenta em “Aonde Aponta o Sentido”, álbum que chega às plataformas digitais nesta quarta-feira, 4/11. O disco será apresentado pela primeira vez ao vivo no dia 17/11, terça-feira, em show na Casa Outono.

Reunindo dez canções autorais compostas em diferentes momentos de sua vida, o trabalho transforma experiências pessoais em uma narrativa musical sobre amadurecimento e autoconhecimento, convidando o público a percorrer questões que atravessam as relações humanas, da família de origem aos vínculos amorosos, passando pela maternidade, pela liberdade individual e pelo reencontro consigo mesma.

Com produção musical de Rafa Dutra, o disco tem no violão de Mari, presente em todas as canções, o fio condutor de uma sonoridade que aproxima referências da MPB, do pop latino e da música alternativa, atravessadas pelos tambores mineiros e pelo cancioneiro popular regional. A sequência das faixas desenha um percurso emocional: da inocência e das primeiras desilusões à possibilidade de construir relações mais conscientes. Para Mari, o álbum representa tanto o testemunho de uma transformação pessoal quanto uma espécie de bússola para outras travessias.

Uma montanha sagrada a atravessar

A concepção de “Aonde Aponta o Sentido” não surgiu de um planejamento prévio. Foi somente depois de gravar as músicas que Mari percebeu existir uma narrativa capaz de conectá-las. Durante o processo de produção, a escolha do repertório aconteceu de maneira intuitiva, respeitando o que a artista identificava como as necessidades de cada composição. Algumas canções inicialmente consideradas acabaram ficando de fora, enquanto outras encontraram seu lugar no projeto.

“Eu fui sentindo quais canções estavam pedindo para ser gravadas. Algumas saíram do processo porque simplesmente não funcionavam naquele contexto. Quando olhei para o que tínhamos feito, só então consegui enxergar um sentido naquela escolha e visualizar o conceito do álbum. Foi um processo muito intuitivo”, conta Mari.

Foi nesse momento que a artista entrou em contato com o filme “A Montanha Sagrada”, do cineasta chileno Alejandro Jodorowsky. A obra, marcada por simbolismos e reflexões sobre a existência humana, ajudou a cantora a compreender o disco como uma jornada de transformação, em que cada canção representa uma etapa de um caminho maior. A associação também contribuiu para o nascimento do título do trabalho, definido apenas quando as gravações já estavam concluídas.

A metáfora da montanha encontra correspondência na própria trajetória da compositora. Depois de viver um casamento de dez anos, tornar-se mãe ainda jovem e enfrentar o fim da relação, Mari iniciou um processo de reconstrução pessoal que envolveu o questionamento de padrões familiares, a busca por autonomia e a descoberta de novas formas de se relacionar. Nesse percurso, vivenciou experiências com diferentes práticas terapêuticas e filosóficas, reencontrou sua relação com a criação musical e assumiu um relacionamento homoafetivo.

Mais do que documentar esses acontecimentos, as canções funcionaram como ferramentas para compreender as emoções e elaborar as experiências vividas. “A música sempre foi uma ferramenta de elaboração do mundo para mim, com efeitos meditativos. Muitas composições nasceram de maneira intuitiva, deixando as palavras surgirem e as notas me guiarem. Nesse processo, emoções profundas, guardadas e nem sempre racionais vêm à tona. É como se eu criasse um diálogo comigo mesma, que me ajuda a encaixar peças soltas por dentro”, explica.

Segundo a artista, esse processo também permitiu transformar experiências particulares em composições capazes de dialogar com outras pessoas. “Quando a gente compreende aquilo que viveu e sentiu, pode resolver questões e deixar para trás o que não faz mais sentido. As músicas são ferramentas essenciais para mim nesse processo. Depois desse momento mais intuitivo, elas foram lapidadas para dialogar com outras pessoas e seus universos particulares”, acrescenta.

O violão como fio condutor entre diferentes universos musicais

Se a construção conceitual do álbum aconteceu de forma intuitiva, o mesmo movimento orientou suas escolhas musicais. Inicialmente, Mari e Rafa Dutra imaginavam arranjos minimalistas, baseados em poucos instrumentos e intervenções pontuais de programação musical. Ao longo do processo, porém, as composições ganharam outras formas, mantendo como ponto de partida o violão da artista, uma de suas marcas e presença constante nas dez faixas.

Nesse percurso, as referências de Mari encontram o universo musical do produtor. Entre as influências da cantora estão nomes da MPB como Lenine, Tom Zé e Los Hermanos, além de Jorge Drexler e de artistas da cena latino-americana, como Perotá Chingó e Alejandro y Maria Laura. Das escutas de Rafa, chegam elementos que remetem a Radiohead, Kings of Convenience e Tune-Yards, ampliando as possibilidades de encontro entre timbres acústicos, eletrônicos e diferentes construções rítmicas.

O violão costura essa diversidade, enquanto os tambores mineiros, com referências como Maurício Tizumba, e o cancioneiro popular regional aproximam o disco das memórias da compositora. São sonoridades que remetem à sua infância, marcada pela presença da moda de viola na vida cultural familiar, e que encontram novos caminhos nos arranjos.

Essa liberdade criativa permitiu que cada composição desenvolvesse sua própria identidade, sem a necessidade de seguir uma fórmula sonora previamente estabelecida. O resultado é um álbum que acompanha as mudanças emocionais da narrativa também por meio de diferentes atmosferas musicais.

Em “Afeto”, single lançado em 23 de setembro e responsável por abrir o disco, a composição parte do blues, gênero historicamente associado ao lamento, para alcançar uma ambientação onírica, construída com uma orquestração de beats e elementos que remetem ao cosmos. A passagem do desconforto à expansão sonora sintetiza um dos movimentos centrais do álbum: transformar experiências difíceis em oportunidades de compreensão e amadurecimento.

“Partimos do nosso universo de gostos particulares, mas sem planejar demais. Fomos sendo levados pelo clima de cada canção”, resume a artista.

Dez canções, uma jornada de amadurecimento

Embora tenham sido compostas em momentos diferentes e sem uma ordem preestabelecida, as dez faixas de “Aonde Aponta o Sentido” foram organizadas para construir um arco dramático. A sequência propõe uma experiência de escuta que parte das ilusões e dos padrões herdados, atravessa questionamentos e rupturas e chega a um lugar de maior consciência sobre si e sobre o outro.

“As canções definitivamente não nasceram na ordem em que aparecem no álbum. A sequência foi definida para criar um caminho emocional para o ouvinte percorrer. A ideia é pensar em um processo de amadurecimento, em que vamos da inocência à desilusão, passamos por provas de desenvolvimento, aprendemos algumas lições e depois podemos desfrutar de certa maturidade”, explica Mari.

O percurso começa com “Afeto”, que investiga as ilusões construídas nas relações humanas e a responsabilidade de cada pessoa nas dinâmicas afetivas. A composição nasceu da observação de amizades que se desfizeram sem explicações claras e propõe um olhar para além da oposição entre vítimas e culpados.

Na sequência, “Amor Que Nos Mantém” desloca a reflexão para os vínculos familiares, questionando padrões transmitidos entre gerações e a possibilidade de construir outros destinos sem romper necessariamente com o afeto. Já “Deixe Com Ela” aborda a necessidade de estabelecer limites e reconhecer que cada pessoa deve assumir a responsabilidade por seu próprio caminho.

Em “Como Faz Voar”, a liberdade conquistada abre espaço para novas incertezas: como seguir adiante depois de abandonar padrões conhecidos? A resposta não aparece como uma solução definitiva, mas como parte de um processo de aprendizagem.

No centro do álbum, “Frô de Maracujá” oferece uma pausa contemplativa. Inspirada em reflexões presentes na tradição hermética e no Caibalion, a canção aborda a natureza cíclica da existência, os movimentos entre luz e escuridão e a importância de acolher as oscilações da vida.

A segunda metade do disco começa com “Não Quero Mais”, que representa a ruptura com relações, comportamentos e situações que impedem a expressão da própria identidade. Em seguida, “Novo Impermanente” reconhece que experiências e relacionamentos podem deixar marcas importantes sem necessariamente definir quem somos ou determinar nossos caminhos futuros.

Única composição em parceria do álbum, “Novo Impermanente” foi escrita por Mari e Bruna Carvalho, para o duo BRABA. Primeira canção composta pelas duas, a música já faz parte do repertório ao vivo do duo, que também possui outros lançamentos, e agora ganha uma gravação no trabalho solo de Mari.

Família, maternidade e reconexão com o desejo

Entre os temas que atravessam o álbum, as relações familiares ocupam um lugar central. Para Mari, compreender os vínculos estabelecidos na infância é fundamental para investigar a maneira como cada pessoa constrói suas relações ao longo da vida.

“Antes de nos relacionarmos com o mundo externo, aprendemos tudo em casa, com pais, avós, irmãos e tios. É uma herança que carregamos, para o bem e para o mal. Muitas questões emocionais nascem dessa primeira relação familiar, por isso considero tão importante olhar para ela em um processo de autoconhecimento”, afirma.

Se “Amor Que Nos Mantém” observa essa herança a partir da posição de filha, “Ritos de Crescer”, oitava faixa do disco, desloca o olhar para a experiência da maternidade. Ao acompanhar o desenvolvimento dos filhos e seus conflitos, a compositora se vê diante de suas próprias inseguranças e percebe que o amadurecimento não termina com a vida adulta.

“Quando me tornei mãe, algumas questões dessa herança familiar ficaram ainda mais escancaradas. Me deparei com um universo completamente diferente daquele que conhecia sendo filha. Tudo mudou, amadureci muito e continuo nesse processo. ‘Ritos de Crescer’ mostra o quanto somos vulneráveis diante daquilo que estamos construindo. É aprender com o desenvolvimento dos filhos e assumir que sabemos pouco das coisas enquanto pais. Está todo mundo aprendendo e crescendo”, reflete.

Na reta final do disco, “La Loba” representa uma reconexão com a natureza instintiva e com o desejo. Inspirada no livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, da escritora Clarissa Pinkola Estés, a canção evoca a figura arquetípica da mulher selvagem, associada à autonomia, à intuição e à liberdade de viver a própria natureza.

Essas referências literárias, filosóficas e espirituais integram o repertório pessoal da artista, construído ao longo de suas investigações sobre a existência humana.

“Elas fazem parte da minha busca por respostas sobre o sentido da vida, o comportamento humano e os mistérios da existência. Acabam aparecendo naturalmente nas composições porque já fazem parte do meu repertório interno. Muitas vezes, a música acontece justamente para me ajudar a elaborar aquilo que compreendi nessas investigações”, explica.

O amor como possibilidade de futuro

A jornada de “Aonde Aponta o Sentido” se encerra com “Você Me Pediu uma Canção de Amor”, composição que apresenta uma perspectiva diferente daquela que abre o álbum. Se “Afeto” parte da desilusão e do questionamento sobre o que une duas pessoas, a faixa final celebra a possibilidade de construir um relacionamento mais consciente, no qual o amor representa um encontro entre duas trajetórias.

A canção também introduz a ideia de “futurar”: desejar e construir um futuro compartilhado, reconhecendo que os relacionamentos continuam sujeitos a mudanças, dificuldades e descobertas.

Para Mari, esse desfecho não significa ter encontrado respostas definitivas, mas compreender que o amadurecimento permite experimentar novos começos com mais consciência. “Amadureci nesse processo e desenvolvi a consciência de que tudo é cíclico. Mesmo depois de passar pelos perrengues, os recomeços são possíveis e bem-vindos. Acho que o fechamento do álbum é isso: abrir o horizonte para uma nova fase, um futuro possível e desejado. E seguimos na caminhada, tendo consciência dos altos e baixos”, afirma.

Ao transformar sua história em música, a artista também espera criar espaços de identificação e acolhimento para quem atravessa experiências semelhantes. Embora nascidas de vivências individuais, as canções abordam sentimentos e conflitos que ultrapassam os limites de uma trajetória pessoal.

“Espero que as pessoas que viveram ou estão vivendo situações descritas nas canções encontrem algum acolhimento. Quando estamos passando por algo difícil de descrever ou complicado demais para dividir com outra pessoa, é muito importante encontrar lugares para desaguar essas emoções, se reconhecer e não se sentir sozinho”, conclui.

Sobre Mari Q Lima

Cantora e compositora, Mari Q Lima desenvolve um trabalho autoral marcado pela investigação das relações humanas, dos afetos e das experiências que atravessam os processos de transformação pessoal. Sua criação musical dialoga com referências da música brasileira e latino-americana, além de influências filosóficas, literárias e espirituais que integram sua trajetória de autoconhecimento.

Em suas composições, a artista transforma vivências pessoais em reflexões sobre identidade, vínculos familiares, maternidade, liberdade e amor. A música ocupa um lugar central nesse percurso, funcionando tanto como expressão artística quanto como ferramenta de elaboração emocional. Ao lado de Bruna Carvalho, integra o duo BRABA, com o qual já realizou lançamentos.

Em 2026, Mari apresenta “Aonde Aponta o Sentido”, álbum de dez faixas produzido musicalmente por Rafa Dutra. Guiado pelo violão de nylon da artista, o trabalho aproxima referências da MPB, do pop latino e da música alternativa, além de tambores mineiros e elementos do cancioneiro popular regional ligados às suas memórias de infância.

Lançamento do álbum “Aonde Aponta o Sentido” — Mari Q Lima

Data: 4 de novembro de 2026

Formato: Álbum com dez faixas

Produção musical: Rafa Dutra

Disponibilidade: Plataformas digitais

Show de lançamento. Dia 17/11, terça-feira, na Casa Outono

Faixas do álbum:

1. Afeto

2. Amor Que Nos Mantém

3. Deixe Com Ela

4. Como Faz Voar

5. Frô de Maracujá

6. Não Quero Mais

7. Novo Impermanente

8. Ritos de Crescer

9. La Loba

10. Você Me Pediu uma Canção de Amor