Festival de arte urbana FARRA traz artistas para pintar muros em BH – 13 a 17/10

Rafa Mon, Thaynha e Laís da Lama pintam ao lado de quatro artistas locais em volta da Praça Zigue-Zague, no bairro Carlos Prates, até sábado, 17

A partir desta terça-feira, 13, sete artistas mulheres pintam sete muros em volta da Praça Zigue-Zague, no Carlos Prates, em Belo Horizonte. Três chegam de outras cidades: Rafa Mon, do Rio de Janeiro, Thaynha, de João Pessoa, e Laís da Lama, de São Paulo. Com elas pintam quatro artistas de BH: D.Ninja, Mag Magrela, Priscila Amoni e Mariana Marinato. É a segunda edição do FARRA, Festival de Arte e Rua, do Instituto CURA, que vai até sábado, 17, com o trabalho à vista de quem passa.

Rafa Mon conhece bem o caminho até aqui. Nasceu em Minas Gerais e mudou-se para o Rio em 2006, onde construiu uma carreira de murais de grande escala no Brasil e no exterior. Sua pintura junta fauna, flora e personagens femininas em cores intensas e fala de feminismo, cultura brasileira, natureza e identidade. No Carlos Prates, ela pinta no estado onde nasceu.

Do Nordeste vem Thaynha. Paraibana, ela começou no graffiti e dali partiu para murais, ilustrações, instalações e ações de formação. Suas imagens têm linhas fluidas, bichos e plantas, e põem o feminino no centro, entre afeto e política. A ancestralidade da Paraíba aparece como questão de identidade e pertencimento, e o trabalho, que já circulou por outras regiões do país e pelo exterior, coloca a arte urbana nordestina no meio da conversa.

Laís da Lama pinta desde 2007. Cresceu na periferia da Zona Leste de São Paulo, formou-se em artes visuais e produção de moda e hoje divide o tempo entre o graffiti, a arte-educação, a ilustração, o figurino e a Lama, marca de roupas e acessórios inclusivos que criou. Em 2024, fez a primeira exposição individual, “Eu – Mulher”, sobre identidade, memória e experiência feminina a partir da própria vida.

Na rua, as três dividem espaço com as artistas da casa. Os muros ficam perto uns dos outros, e cada uma acompanha o trabalho das colegas ao longo da semana. D.Ninja está entre as primeiras mulheres a fazer graffiti no Brasil e mistura óleo, escultura, cerâmica e porcelana à lata de spray. Seu trabalho aparece em livros como “Graffiti Women”, de Nicholas Ganz, e já passou por Peru, Chile, Alemanha e França. Mag Magrela nasceu em São Paulo, mora em BH e é autodidata, com murais em Buenos Aires, Nova York, Paris e Lisboa. Priscila Amoni soma 18 anos de pintura clássica e 13 de muralismo e incorpora à obra o concreto, as emendas e os desníveis da parede. Mariana Marinato trabalha corpo, tempo e memória a partir do que a cidade consome e descarta. “Pinto tentando encostar em algo que ficou no corpo, mas nunca apareceu por inteiro”, diz.

Quem quiser ver os murais tomarem forma pode passar pela praça de terça a sábado, [horário]. No sábado, 17, a festa de encerramento tem oficina de graffiti para crianças, espaço de lazer, visita guiada pelos murais às 17h e show da banda O Culto da Rua às 19h. Toda a programação é gratuita.

O FARRA é um projeto itinerante do Instituto CURA, que também realiza o CURA, festival de arte urbana de Belo Horizonte criado em 2017. A primeira edição do FARRA foi em maio, na Cabana do Pai Tomás.

FARRA Zigue-Zague | Festival de Arte e Rua

Pinturas: 13 a 17 de outubro de 2026, terça a sábado

Festa de encerramento: sábado, 17 de outubro, a partir das 14h

Local: Praça Zigue-Zague, esquina das ruas Patrocínio e Peçanha, Carlos Prates, Belo Horizonte

Gratuito

Informações: @cura.art