‘Jogo Negro no mundo’, de Altemar de Monteiro, será lançado neste sábado, 13 de junho de 2026, no Espaço do Conhecimento UFMG
Entre o terreiro, a rua, a universidade e a cena teatral, o professor, dramaturgo e pesquisador Altemar Di Monteiro constrói, em Jogo negro no mundo, uma reflexão sobre teatro, pedagogia e existência. Publicada pela Editora UFMG, a obra será lançada no dia 13 de junho, das 10h às 13h, no Espaço do Conhecimento UFMG (Praça da Liberdade, 700, Funcionários, Belo Horizonte, MG).
A escolha da data não é casual. O lançamento acontece em um dia tradicionalmente associado às celebrações de Exu — entidade fundamental em cosmologias afro-brasileiras, ligada à comunicação, ao movimento, às encruzilhadas e à abertura dos caminhos. Presença conceitual decisiva no livro, Exu aparece não apenas como referência simbólica, mas como fundamento epistemológico e político de uma pedagogia teatral negra baseada na invenção, na relação e no deslocamento.
Exu, encruzilhada e improvisação
Partindo do teatro para propor um jogo com o mundo, Jogo negro no mundo propõe o jogo como tecnologia ancestral e modo de compor a vida. Na obra, a improvisação é entendida para pensar além da técnica teatral e passa a ser compreendida como estratégia histórica de criação e sobrevivência das populações negras diante do apagamento de suas cosmopercepções.
Com prefácio assinado pela encenadora brasileira Onisajé, referência importante dos teatros negros, o livro se organiza a partir de sete saberes estético-corpóreos negrodiaspóricos — Agô, Axé, Encruzilhada, Auê, Ginga, Ebó e Adúpé — que articulam práticas de ensino, criação, metodologia e convivência. O autor propõe campos relacionais de experiência, nos quais corpo, memória, estética e política se entrelaçam.
A encruzilhada, território simbólico de Exu, surge como uma das imagens centrais da obra: espaço de trânsito, conflito, encontro e transformação. É nesse lugar que o teatro deixa de ser apenas representação para se tornar modo de existência e relação com o mundo.
Teatro negro como produção de conhecimento
Professor da graduação em Teatro da UFMG e colaborador do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, Altemar Di Monteiro — conhecido artisticamente como Alt — reúne no livro experiências construídas ao longo de mais de duas décadas entre a periferia de Fortaleza, assentamentos da reforma agrária no Ceará e universidades públicas.
Cofundador do grupo Nóis de Teatro, ativo desde 2002, o autor também dialoga com saberes das rodas de capoeira, batalhas de rima, duelos de vogue, danças urbanas e culturas periféricas, reconhecendo as matrizes negras de elementos historicamente atribuídos ao teatro europeu, como a improvisação.
Na orelha da publicação, o professor Rogério Lopes destaca que a singularidade da obra está na construção de um ensino de teatro negrorreferenciado que articula arte, vida e espiritualidade. “Mais do que um conjunto de técnicas, o que interessa são os princípios que regem esses jogos”, afirma.
Programação reúne ritual, performance e leitura cênica
O lançamento de Jogo negro no mundo foi concebido como uma experiência artística e coletiva, em diálogo com os princípios que estruturam o livro.
A programação começa às 10h, com Agô, saudação a Exu, conduzida por Babá Everton de Iyemojá, líder espiritual do Ilê Ogodo Lomiwa, de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e filho de Mãe Beata de Iemanjá (1931–2017), importante referência da luta antirracista e do combate à intolerância religiosa no Brasil. A presença de Babá Everton dialoga diretamente com os fundamentos conceituais da obra, especialmente com a compreensão das culturas de terreiro como espaços de produção de conhecimento, memória e modos de existência.
Em seguida, haverá performance do Negruras, grupo de pesquisa da Escola de Belas Artes da UFMG liderado pelo autor. Às 10h30, Altemar Di Monteiro convida o artista e professor Gil Amâncio para uma leitura performativa de trechos da obra. A programação inclui ainda a apresentação da Coleção Artes Cênicas da Editora UFMG pela professora Rita Gusmão. O evento termina com sessão de autógrafos.
Jogo negro no mundo: teatro e improvisação na diáspora
Altemar Di Monteiro
Editora UFMG
Coleção Artes Cênicas
2026, 1ª edição, 332p. ISBN: 978-65-5858-193-2
Preço: R$ 69
Disponível no site: www.editoraufmg.com.br












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