Programação de maio do Cine Graciano

O mês de maio chega intenso no Cine Graciano, com uma programação que reúne sessões especiais, mostras temáticas e debates com realizadores e convidados. Ao todo, serão 26 filmes exibidos e nove sessões comentadas, atravessando diferentes linguagens do cinema contemporâneo e colocando em foco temas como memória, território, saúde mental e conflitos socioambientais.

Com forte presença de produções mineiras, a programação também abre espaço para filmes de outros estados, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pernambuco.

A abertura acontece no dia 5 de maio, às 19h, em celebração ao Dia do Cartunista, com a exibição de Angeli 24h, de Beth Formaggini, e A Cidade dos Piratas, de Otto Guerra. Os filmes abordam, sob diferentes perspectivas, o universo do cartunista Angeli e as tensões entre criação artística, mercado e vida pessoal.

No dia 7 de maio, o Dia do Silêncio traz, às 17h, o longa O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, exibido como uma reflexão sobre a poluição sonora da vida em sociedade e também como convite ao silêncio interior. Na mesma data, às 19h, a sessão especial reúne Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa, que celebra sete anos de lançamento, e Vaga Carne, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr., em um encontro entre dois filmes marcantes do cinema mineiro contemporâneo.

A partir do dia 12, o Cine Graciano recebe a Mostra Conflitos Socioambientais, que se desdobra em três programas. O primeiro apresenta Feridas na Terra, de Helena Duarte, sobre os impactos da mineração na Serra do Curral. O segundo traz Amazônia Oktoberfest, de Sérgio Oliveira e Felipe Drehmer, que discute processos históricos de ocupação e transformação ambiental. Já o terceiro reúne curtas que abordam a mineração em Minas Gerais, como Camaco, O Silêncio Elementar, Água Rasa e Mineiro Não Se Dobra.

Entre os dias 19 e 26 de maio de 2026, a Mostra Luta Antimanicomial reúne obras que tensionam as relações entre saúde mental, políticas públicas e modos de existência, com destaque para o longa Estamira, de Marcos Prado, e As Linhas da Minha Mão, de João Dumans, além de sessões de curtas que ampliam o debate.

Encerrando a programação, a Mostra Cidade-Território propõe reflexões sobre o espaço urbano e suas disputas. Entre os destaques estão Filme de Rua, do coletivo Filme de Rua, e Entre a Lei e a Rua, de Guilherme Simões, exibidos em sessão especial em parceria com o Museu da Imagem e do Som, dentro da Semana Nacional de Museus. A mostra segue no dia 28 com sessões que incluem Morada, Quando Revolta por Cima e um conjunto de curtas recentes da produção mineira.

A programação inclui sessões comentadas e mediações, ampliando o diálogo entre público, obras e realizadores e reforçando o Cine Graciano como espaço de encontro e circulação de ideias.

SOBRE O CINE GRACIANO E A LAGOINHA

O espaço do Cine Graciano conta com 48 lugares e estrutura para exibição de produções cinematográficas em diferentes formatos. A proposta do espaço é priorizar filmes que pautem os direitos humanos e a democracia, a reflexão crítica sobre as desigualdades sociais, a promoção de mulheres, pessoas negras, indígenas, periféricas e LGBTQIAPN+, a cultura popular, os movimentos urbanos, a arte independente, a vida nas grandes cidades, suas diversidades, riquezas humanas e contradições cotidianas.

A Lagoinha, um dos bairros operários mais antigos de Belo Horizonte, carrega em suas ruas a memória da construção da capital e um passado de resistência cultural. Conhecida como a “Pequena África” de BH, foi um reduto fundamental para a população negra, cuja história, embora frequentemente apagada, luta para se manter viva. A paisagem do bairro foi radicalmente transformada com a construção da Rodoviária e do Complexo da Lagoinha, intervenções que fragmentaram sua comunidade. Apesar disso, sua alma boêmia e cultural nunca se apagou, pulsando na memória da Praça Vaz de Mello, berço do samba e palco do lendário bloco de Carnaval Leão da Lagoinha. Hoje, esse bairro de efervescência histórica vive um importante processo de retomada, a partir de iniciativas como o movimento Viva Lagoinha. Mas também convive com a dura realidade de muitas pessoas em situação de rua, refletindo as contradições da cidade que ajudou a construir.

SOBRE A FILME DE RUA

A Filme de Rua tem suas primeiras movimentações em 2010, a partir de rodas de conversa organizadas pela psicanalista Joanna Ladeira com jovens que tinham as ruas como espaço de moradia e vivência, entre eles Hugo, Maíra, Samuel, Lelo, Alexander. Inicialmente, os encontros ocupavam o antigo espaço Miguilim e depois o Viaduto Santa Tereza. Em 2015, esse grupo informal consolidou-se como um coletivo – integrado também por Joanna, Ed Marte, Daniel Carneiro, Guilherme Melo, Paula Kimo e  Zi Reis, – com o objetivo de ver e fazer filmes, junto a essa juventude. Foi produzido o curta-metragem “Filme de Rua” (2017), premiado em festivais pelo país. Com o tempo, outras pessoas passaram a integrar o coletivo e, mais tarde, a Associação.

A produção colaborativa tornou-se método, criando um espaço de expressão e aprendizado que resultou em outros curtas como “Maloca”, “Chuá de Maloqueiro” e dois longas, “Pérola” e “Ficção tipo real”, atualmente em fase de finalização. Em 2019, com projetos premiados no Rumos Itaú Cultural, o coletivo formalizou-se como Associação Cultural e ocupou sua primeira sala de cinema no Edifício Sulamérica, inaugurando a ocupação cultural desta localidade no centro da cidade. O espaço tornou-se pólo cultural, hospedando debates, seminários, mostras e exibições, fechando as suas portas em 2023 e hoje revivendo com a iniciativa do Cine Graciano


QUEM FOI HUGO GRACIANO

A sala de cinema tem, em seu nome, uma homenagem a Hugo Graciano, um dos jovens com trajetória marcante junto à Filme de Rua, participante do coletivo desde o seu início, e que partiu em março de 2024, com apenas 26 anos. Conhecido por sua persistência, alegria, amizade e criatividade, ele atuou como artista, criador e mobilizador da Filme de Rua. Também é pai do Samuel e atuou como redutor de danos no Consultório de Rua, da PBH. Aos 7 anos, Hugo encontrou-se em situação de rua, onde viveu por muitos anos. Ao longo da vida, ele se tornou uma força positiva para muitas pessoas. Agora, a Filme de Rua celebra a sua vida e o homenageia, com a criação do Cine Graciano. 

Cine Graciano

Rua Itapecerica, 468, Lagoinha
Entrada gratuita (Sem retirada de ingressos. É só chegar!)
Informações: instagram.com/filmederua

05/05 (terça-feira)
• 19h – Sessão especial | Dia do Cartunista
Angeli 24h (Beth Formaggini); A Cidade dos Piratas (Otto Guerra)

07/05 (quinta-feira)
• 17h – Sessão especial | Dia do Silêncio
O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho)
• 19h – Sessão comentada | 7 anos em Maio
Sete Anos em Maio (Affonso Uchôa); Vaga Carne (Grace Passô, Ricardo Alves Jr.)

12/05 (terça-feira)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Conflitos Socioambientais – Programa 1
Feridas na Terra (Helena Duarte)

14/05 (quinta-feira)
• 17h – Mostra Conflitos Socioambientais – Programa 2
Amazônia Oktoberfest (Sérgio Oliveira, Felipe Drehmer)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Conflitos Socioambientais – Programa 3
Camaco (Breno Alvarenga); O Silêncio Elementar (Mariana de Melo); Água Rasa (Dani Drumond); Mineiro Não Se Dobra (Hortência Abreu, Ricardo Burgarelli)

19/05 (terça-feira)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Luta Antimanicomial – Programa 1 (Redução de Danos)
Baseado em Cenas Raciais; Um dos lugares de onde jorra a imanência…; Olhos d’água

20/05 (quarta-feira)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Cidade-Território – Programa 1 (parceria com MIS BH)
Filme de Rua (Coletivo Filme de Rua); Entre a Lei e a Rua (Guilherme Simões)

21/05 (quinta-feira)
• 17h – Sessão comentada | Mostra Luta Antimanicomial – Programa 2
Maloca (Hugo Graciano, PJ); Abusos e Violações de Direitos em Comunidades Terapêuticas; Serra Verde (Luciene Araújo)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Luta Antimanicomial – Programa 3
Estamira (Marcos Prado)

26/05 (terça-feira)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Luta Antimanicomial – Programa 4
As Linhas da Minha Mão (João Dumans)

28/05 (quinta-feira)
• 10h – Sessão comentada | Mostra Cidade-Território – Programa 2
Quando Revolta por Cima (Coletivo Quando)
• 17h – Mostra Cidade-Território – Programa 3
Morada (Joana Oliveira)
• 19h – Sessão comentada | Mostra Cidade-Território – Programa 4
Arroz Carreteiro (Jordânia Marçal, Thamira Bastos); Legacy, A Coroa de Bilú (Rafael LaCruz); Não quero ser capeta, não! (Duna Dias, Leonardo Augusto)