Todo Vinho tem Camadas – Enolife

enolife

E o nariz sabe coisas que a boca só descobre depois. 

Por Joelma Matos 

Enquanto boa parte do mundo corre pra beber, eu te convido pra fazer um teste: vale a pena cheirar antes. E não é frescura, não. É que o aroma do vinho é tipo aquele amigo que conta a história em capítulos, se você não presta atenção no começo, perde a graça do final. 

Todo vinho carrega camadas de aroma, e cada uma conta um pedacinho de onde ele veio. Tem a primeira, que vem da própria uva: flor, fruta, aquele cheirinho fresco que lembra colheita. Depois vem a que nasce da fermentação, mais leve, mais brincalhona, tipo pão saindo do forno ou banana madura. E por último, a camada que só o tempo dá: madeira, especiarias, aquele toque de couro ou baunilha que só aparece depois de meses (ou anos) de paciência na garrafa ou no barril. 

Por isso insisto: cheirar vinho não é frescura de sommelier metido, é entender que ali dentro tem uma linha do tempo inteira esperando pra ser contada. Cada nariz na taça é um convite pra viajar no tempo daquele vinho antes mesmo de ele te tocar a boca. 

Da próxima vez que você abrir uma garrafa, faz um teste: primeiro cheira com a taça parada, depois gira a taça por algumas vezes e aproxima o nariz, respira fundo (sem medo de parecer exagerado). Você vai perceber que o cheiro muda a cada minuto e é exatamente essa transformação que separa quem só bebe vinho de quem realmente vive a experiência. 

No fim das contas, aroma é memória em suspensão. É a parte do vinho que chega antes de qualquer gole e já começa a contar história. Então da próxima vez que alguém perguntar “por que você fica cheirando tanto essa taça?”, pode responder com toda a propriedade: porque antes de beber, eu gosto de ouvir o que o vinho tem pra dizer. 

Adicionar Comentários

Clique para comentar